Filoxera
Ao falar das videiras é imprescindível um comentário sobre a filoxera, um pulgão que se instala nas raízes da videira européia, levando-a a morte. De origem americana, foi registrada pela primeira vez na Europa entre 1862 e 1870, tanto na Provence quanto no Douro. Apesar de séculos de intercâmbio entre o novo mundo e a Europa, só depois que a navegação a vapor entrou em vigor, diminuindo a viagem em semanas, é que o pulgão chegou vivo aos portos do Mediterrâneo e de lá se alastrou facilmente. Em menos de quinze anos, os vinhedos europeus foram dizimados. A solução encontrada pelos botânicos foi a enxertia. No início, a idéia parecia absurda, mas acabou sendo aceita por falta de opções.
A técnica era bem simples. Os pesquisadores perceberam que o pulgão atacava as raízes da videira européia, mas não destruía a videira americana. Concluíram que usar videiras americanas como porta-enxerto para as européias podia ser a saída. Deu certo. Os vinhedos voltaram a florescer e, no inicio do século XX, tudo estava normalizado na viticultura.
Desde então, em todos os lugares do mundo, as vinhas são plantadas dessa forma. Mas há exceções. Países como o Chile, Argentina e em partes da Austrália, a filoxera não se desenvolveu e os produtores locais podem plantar os vinhedos em “pé-franco”, diretamente no solo, sem uso de porta-enxerto. A composição do solo e as condições geográficas colaboram para esses resultados.
Fonte: Revista Prazeres da Mesa/Fev2009.